Uma hipótese de produto é uma aposta escrita de forma que um experimento possa mostrar que ela está errada: diz qual mudança, para qual público, deve produzir qual resultado, e como o time vai saber. O formato "Acreditamos que... Saberemos que é verdade quando..." obriga a declarar a métrica, a variação esperada e o prazo antes de construir, separando aprendizado de opinião.
Como usar
- Descreva a observação ou evidência que motiva a hipótese: dado, entrevista, chamado de suporte.
- Diga quem é o público e qual mudança você propõe.
- Escreva o resultado esperado como mudança de comportamento, não como entrega.
- Informe a métrica, a direção, o valor atual, a variação esperada e o prazo.
- Revise a checagem de qualidade e leve a hipótese para o planejamento do experimento.
O que cada campo pede
| Campo | O que preencher |
|---|---|
| Observação ou evidência | O que você viu nos dados, em entrevistas ou no suporte que motiva a hipótese. |
| Público | Quem a mudança afeta, o mais específico possível. |
| Mudança proposta | O que você vai fazer, numa frase que começa com verbo. |
| Resultado esperado | A mudança de comportamento que você espera, começando com verbo. |
| Métrica (opcional) | O número que vai mostrar se a hipótese se confirma. |
| A métrica deve | A direção em que a métrica precisa andar. |
| Valor atual da métrica (opcional) | Em porcentagem. Com ele, a ferramenta calcula a amostra do teste. |
| Variação esperada (opcional) | Em % relativo ao valor atual. É o que torna a hipótese refutável. |
| Prazo (opcional) | Em quanto tempo o efeito deve aparecer. |
Exemplo
Uma loja virtual fictícia viu que 6 em cada 10 compradores no celular abandonam o carrinho na etapa do frete. A hipótese gerada: "Acreditamos que mostrar o valor do frete já na página do produto para compradores que acessam pelo celular vai reduzir o abandono na etapa do frete. Saberemos que é verdade quando a conversão do carrinho em compra subir de 4% para 4,6% (+15%) em 4 semanas." Ela passa nos seis critérios de qualidade, e o experimento mínimo é um teste A/B com 17.943 pessoas por variante.
Quando usar
- Antes de pedir tempo do time para construir uma ideia, para declarar o que ela precisa provocar.
- Ao sair de uma rodada de entrevistas, para transformar observações em apostas testáveis.
- Para revisar um backlog cheio de soluções sem resultado esperado.
- Antes de planejar um teste A/B, para fixar a métrica e a variação mínima.
Perguntas frequentes
O que é uma boa hipótese de produto?
É uma frase que pode estar errada e que um teste consegue derrubar. Ela parte de uma evidência, nomeia público, mudança e resultado, e diz em qual métrica, com qual variação e em qual prazo o resultado deve aparecer.
Qual a diferença entre hipótese e ideia?
A ideia descreve o que fazer; a hipótese descreve o efeito esperado e como medi-lo. "Mostrar o frete na página do produto" é uma ideia. A hipótese acrescenta para quem, o que deve mudar no comportamento e qual número confirmaria isso.
Como escolher a métrica?
Use a métrica mais próxima do comportamento que a mudança deve alterar, que o time já mede e que reage dentro do prazo do teste. Métricas muito distantes, como receita anual, demoram e misturam outras causas.
Por que a hipótese precisa de um número?
Sem variação esperada, qualquer movimento da métrica parece confirmar a aposta. O número define quanto a métrica precisa mudar para valer o custo, e é ele que permite calcular a amostra do teste.
Quantas hipóteses devo ter ao mesmo tempo?
Poucas por objetivo: duas ou três em teste, com uma métrica principal cada. Muitas hipóteses abertas dividem o tráfego, alongam os testes e dificultam saber o que causou cada resultado.
Como priorizar hipóteses?
Compare o tamanho do efeito esperado, a força da evidência e o custo de testar. Comece pelas que têm evidência razoável e teste barato; hipóteses fracas pedem primeiro uma descoberta mais simples, como entrevistas ou um protótipo.
O que fazer quando o teste refuta a hipótese?
Registre o aprendizado: a mudança não produziu o efeito esperado naquele público e prazo. Isso evita construir algo inútil. Revise a evidência original e decida se vale uma variação da hipótese ou se a aposta deve ser descartada.